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Notícias 9 de março de 2026

Apoiado pela Lei Incentivo ao Esporte de Pernambuco, projeto Força Feminina oferece futebol e jiu jitsu às mulheres de Glória do Goitá

Na Zona da Mata, o projeto Força Feminina da ACAG garante acesso ao esporte para mais de cem meninas e mulheres, com patrocínio da Neoenergia via Lei de Incentivo ao Esporte.

Apoiado pela Lei Incentivo ao Esporte de Pernambuco, projeto Força Feminina oferece futebol e jiu jitsu às mulheres de Glória do Goitá
Apoiado pela Lei Incentivo ao Esporte de Pernambuco, projeto Força Feminina oferece futebol e jiu jitsu às mulheres de Glória do Goitá

Mulheres comuns, trabalhadoras e estudantes, mães e filhas, vêm conseguindo encaixar a prática esportiva numa rotina corrida e provam que não é preciso ser atleta profissional para ocupar tatames ou quadras. Em Glória do Goitá, na Zona da Mata pernambucana, turmas femininas de futebol e jiu jitsu são um espaço seguro para promover encontros, desenvolver habilidades, praticar exercícios, conhecer uma nova modalidade e fortalecer a autoestima.

Através do projeto Força Feminina, a Associação Cultural Atlética Gloriense (ACAG) garante acesso ao esporte para mais de cem meninas e mulheres. O projeto Força Feminina é apoiado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Esportes, e patrocinado pela Lei de Incentivo ao Esporte, via Neoenergia.

Sem o compromisso do esporte de alto rendimento, neste espaço as mulheres aproveitam as práticas para se manter ativas e cuidar da saúde – física e mental. “Eu comecei no projeto por estar levando uma vida sedentária. Trabalhando o dia todo e sem tempo para praticar exercícios físicos, vieram os problemas de saúde. Como eu nunca tinha jogado futebol, não sabia nem chutar uma bola, estou aprendendo do início. É tudo novo, uma diversão. Um lugar de lazer, uma hora do seu dia para esquecer os problemas de casa”, explicou Julia Santana, que hoje divide esse momento com sua filha, Heloísa. “Eu decidi trazer minha filha, que também estava sem fazer atividade física e gosta muito de futebol. Aí a gente começou a treinar junto”, afirmou.

Heloísa Santana, de 12 anos, começou a treinar há pouco tempo, mas já se declara encantada com o futebol feminino: “eu gosto muito da modalidade e é uma distração no dia a dia para mim, um hobby. Eu estou gostando muito do projeto, principalmente porque nós, meninas, não somos tão valorizadas no futebol”. Além disso, as aulas se tornaram uma oportunidade nova de compartilhar momentos em família. “Está sendo bem legal, porque geralmente todo mundo estava sempre muito ocupado em casa com as suas próprias atividades”, concluiu.

Vice-presidente da Associação, Ronaldo do Nascimento reconhece a importância da iniciativa do Governo de Pernambuco para a manutenção do projeto: “a gente adquiriu tudo que é possível ver aqui com a Lei de Incentivo ao Esporte. Padrão esportivo, chuteira, material de treino, bolas e material esportivo, lanche diário após cada atividade”. “Hoje, é um lazer para elas. São mulheres, crianças, mães, trabalhadoras, que vêm aqui praticar esportes. É importante na vida social delas”, pontuou Ronaldo.

Livia Lisandra, aluna do jiu jitsu, encontrou no esporte muito mais do que uma saída para sua rotina sedentária. Mãe solo de uma menina de apenas três anos, Lívia se mudou recentemente para Glória do Goitá após viver um relacionamento abusivo e não conhecia muita gente na cidade. “Eu tive a minha filha há três anos e desde então eu entrei numa depressão muito grande e não estava me exercitando. Eu trabalho home office, então ficava somente em casa e não tinha força de vontade para sair”, explicou. Foi na intenção de mudar esse jogo que ela conheceu o projeto e decidiu arriscar. “O jiu jitsu foi uma porta de entrada pra começar essa vida mais ativa. Depois de começar na modalidade, eu me cadastrei na academia novamente e estou vivendo essa vida mais saudável”, disse, comemorando a conquista.

Presidente da ACAG, Luciel Moura, revelou a demanda no município por um ambiente esportivo voltado às mulheres: “sentimos a necessidade de oferecer o esporte voltado ao público feminino. Foi uma realização quando conseguimos, através da Lei de Incentivo, trazer as mulheres para ter mais espaço e visibilidade”. Segundo ele, as turmas contemplam 50 meninas na luta e 50 no futebol.

Instrutor de jiu jitsu, Leandro Lins destacou a importância de que as mulheres saibam se defender, e aponta a luta como um instrumento de confiança e defesa pessoal. “A gente apresenta a arte marcial e a partir desse contato elas se apaixonam. Elas pedem para ter aula no outro dia. Através do esporte, a gente vai passando a técnica, a disciplina, e vão querendo mais”, pontuou. Para Leandro, “a presença das mulheres no tatame é fundamental. Antes, a luta era um espaço principalmente dos homens. Elas estão ocupando um cenário do qual não faziam parte”.

Fotos: Mateus Bernardo/Sesp